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Moda e Sociedade: percursos entre história, práticas e memória

Início15 de julho

Datas: 15 a 19 de julho | dias úteis das 18h00 às 21h00

Sala 03 | Torre A | piso 0

Docente Responsável: Rui Lopes

Docentes: Caterina Cucinotta, Filomena Paiva Silvano, Giulia Bonali, Maria João Martins e Rui Lopes

Áreas: História da Arte e Estudos Artísticos

 

Objetivos

Objetivo principal do curso é a compreensão, por parte dos estudantes, de uma possível releitura da história da Sociedade através da Moda. Com a intenção de pôr os estudos da Moda no centro da nossa investigação, oferecemos três módulos diferentes onde se poderá analisar o valor histórico, cultural, político, antropológico e social do traje e da moda. A variedade e a multidisciplinaridade destes percursos permitem refletir sobre a riqueza da visão e sobre a presença da disciplina da Moda no mundo, através da qual é possível contextualizar desde questões sociais, artísticas e antropológicas, entre outras.

 

Programa

As disciplinas escolhidas propõem juntar percursos diversos que permitem olhar para a moda nas suas ligações com outros mundos. É possível analisar a moda de acordo com várias metodologias e percorrendo vários períodos históricos. A metodologia aqui escolhida passa pela antropologia, num aprofundamento que visa mostrar diferentes faces do binómio individual/social identificado por Simmel em 1895. (Modulo 1). Para uma contextualização que faça a ligação entre o Oriente e o Ocidente e que analise os cruzamentos entre a antropologia e os estudos sobre moda nos séculos XX e XXI, será importante sublinhar como a forma social da moda não se encontra apenas nas sociedades ditas Ocidentais: a conjugação dos princípios da distinção e da imitação estão presentes em muitas culturas. Assim como, de acordo com Agamben, iremos analisar a moda, a modernidade e o desajuste face ao seu tempo. É importante conceber o “Vestir” como uma noção antropológica que permite ultrapassar algumas das limitações dos estudos sobre moda. (Modulo 2). Com uma raiz ideológica comum, o salazarismo e o franquismo desenvolveram políticas de corpo que condicionaram a representação de si de homens e mulheres. Por oposição aos modelos importados de Paris, então considerada a capital mundial da moda, ou mesmo de Hollywood, procurarão os ideólogos estimular o chamado "regresso" às origens tal como estas eram entendidas pelos dois regimes, através da valorização do chamado traje regional. Assim veremos a imprensa e o cinema ibéricos, veículos de grande difusão comunicativa, "inundados" por imagens sedutoras de jovens vestidas à moda da Nazaré ou do Minho (em Portugal) ou de sevilhana ou de malaguenha (em Espanha). (Modulo 3). Para terminar, com um estudo de caso mais específico, analisaremos a profunda ligação entre a antropologia e o cinema expressada em Portugal através da antropologia visual que desagua naturalmente no género da etnoficção. Pela primeira vez, numa análise de tipo fílmica, no livro “Viagem ao cinema através do seu vestuário”, é analisada a peculiaridade do corpo revestido entre traje e moda em alguns filmes portugueses de etnoficção. Desde finais dos anos 20 do seculo passado até início dos anos 2000, as análises, que cruzam a Fashion Theory com os Film Studies, focam a atenção na maneira como a câmara filma o traje popular e nos seus significados fílmicos que transcendem as regras da moda. As aulas serão constituídas por apresentações expositivas, projeções de excertos de filmes e discussão com os alunos.

Aula 1: Reflexões antropológicas sobre a moda - do início do século XX até à atualidade. (5 horas)

Aula 2: Traje no cinema: construção das Identidades Regionais durante as Ditaduras Ibéricas do Século XX (4 horas)

Aula 3: Traje e Moda: maneiras diferentes de olhar para o vestuário cinematográfico. (6 horas)

 

Bibliografia

Barthes, R., 2015. “O Sistema da moda.”. Lisboa: Edições 70;

Cucinotta, C., 2018. “Viagem ao cinema através do seu vestuário. Percursos de análise em filmes portugueses de etnoficção”, Covilhã: LabCom;

Lozano, J., (orgs), 2015. “Moda. El poder de las aparências”, Madrid: Casimiro Libros;

Miller, D., 2005, Introduction, In Clothing as Material Culture. In D. Miller et S. Küchler (ed.), Pp.113, Oxford: Berg;

Paulicelli, E., 2016. “Fashion under Fascism - Beyond the Black Shirt”. New York: Berg.

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Caterina Cucinotta é doutorada em Ciências da Comunicação vertente Cinema pela NOVA FCSH com a tese  “Viagem ao cinema através do seu vestuário” publicada em 2018 pela editora LabCom. Tem formação em Estudos artísticos pela Universidade de Palermo e de Bolonha. Atualmente é investigadora integrada no Instituto de História Contemporânea da NOVA FCSH onde desenvolve o projeto de pós-doc financiado pela FCT “Figurinos e textura espacial: design e arte no Cinema Português dos últimos 50 anos.” Leciona o módulo de Direção de arte e figurinos no projeto “Cinemalogia” do Festival “Caminhos do cinema português”, é professora convidada das Faculdades de Letras da Universidade de Lisboa e da Beira Interior nas cadeiras Cinema Português e História e Estética do cinema português. Além de se dedicar a investigação, tem experiência prática na área dos figurinos. Atualmente tem-se debruçado sobre a temática dos processos criativos dos figurinistas de cinema abordando a metodologia da Crítica genética.

 

Filomena Paiva Silvano é Professora Associada com Agregação - Departamento de Antropologia da NOVA FCSH - e Investigadora do CRIA. Os seus trabalhos relacionam as questões das identidades coletivas e individuais com o estudo do espaço, do habitat, dos objetos e, mais recentemente, da cultura expressiva e do consumo. Tendo-se sempre interessado pela moda – escreveu para a revista Elle nos anos 1990, escreveu sobre moda no jornal o Público e colaborou em programas televisivos sobre o tema – só recentemente a começou a abordar no quadro de um projeto de investigação - "No atelier de Filipe Faísca – etnografar o fazer" (Investigação realizada no quadro da licença sabática relativa ao segundo semestre do ano letivo de 2016/2017). Colaborou em quatro documentários do realizador João Pedro Rodrigues. É autora dos livros “Territórios da Identidade”, “Antropologia do Espaço” e “De Casa em Casa: Sobre um encontro entre etnografia e cinema”.


Giulia Bonali, licenciada em Literatura Moderna pela Universidade de Florença, é mestre em História do Design pelo Royal College of Art e pelo Victoria and Albert Museum. É professora de Fashion Studies em cursos de licenciatura e mestrado no Polimoda Fashion School em Florença e na Universidade La Sapienza de Roma (Itália). Em 2016 publicou ‘Leafing through the 1980s in Portuguese Fashion Magazines’ em Consumption and Gender in Southern Europe since the Long 1960s; em 2017 organizou o Symposium: ‘From The Pleasure of Preserving to the Pleasure of Displaying, The Politics of Fashion in the Museum’
no Museu Calouste Gulbenkian com uma bolsa da Fundação para o mesmo projeto.

 

Maria João Martins é jornalista, escritora e professora convidada de História Social da Moda na Universidade Carlos III de Madrid. Licenciada em História e Mestre em História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa pela Faculdade de Letras de Lisboa, estreou-se no jornal Diário de Lisboa. Trabalhou ainda no semanário Sete e Jornal de Letras, Artes e Ideias, onde esteve 20 anos. Teve um programa de autor na RDP-Antena 2 e presentemente colabora com Diário de Notícias, Visão, Máxima, Vogue Portugal e Vogue España. É autora de vários estudos de História como O Paraíso Triste - A Vida Quotidiana em Lisboa durante a IIª Guerra Mundial (1994); Luanda, Invenção de uma Capital (2014); História da Criança em Portugal (2014). Prepara neste momento uma dissertação de doutoramento sobre a Moda e as Ditaduras Ibéricas do século XX.


Rui Lopes é Investigador FCT na NOVA FCSH, integrado no Instituto de História Contemporânea, onde coordena o Grupo de Investigação Cultura, Identidades e Poder e co-organiza a Oficina de História e Imagem. Doutorou-se em História Internacional na London School of Economics and Political Science e é autor do livro West Germany and the Portuguese Dictatorship, 1968-1974: Between Cold War and Colonialism (Palgrave MacMillan 2014), bem como de vários artigos sobre a dimensão internacional do Estado Novo. O seu projeto de investigação atual debruça-se sobre as imagens da ditadura e colonialismo portugueses na ficção audiovisual de diferentes países, tendo publicado recentemente artigos nas revistas Film History e Aniki: Revista Portuguesa da Imagem em Movimento. É o investigador responsável pelo projeto I&D Amílcar Cabral: da História Política às Políticas da Memória e membro do conselho editorial da revista Práticas da História: Journal on Theory, Historiography and Uses of the Past.

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