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Colóquio Internacional "Antero e a cultura crítica do século XIX”

De 28 a 30 de outubro - Investigadores revisitam "Questão Coimbra" e a profunda mudança que esta operou na Literatura e na Crítica.

Como fazer a história da “Questão Coimbrã”? Como interpretar os seus detalhes? Que ligação estabelecer entre a poesia e a crítica a partir da releitura das Odes Modernas? Que relação passa a ter, depois de 1865, o espaço literário com o domínio das novas ciências sociais? Quais os contornos do projeto histórico e da ideia de história da “Geração de 70”? Que referências dominam e limitam a cultura crítica de Antero e dos seus parceiros de geração? Estas são algumas das interrogações a responder pelo Colóquio Internacional “Antero e a cultura crítica do século XIX”, organizado pelo Instituto de Estudos de Literatura e Tradição (IELT) durante os dias 28, 29 e 30 de outubro, na Biblioteca Nacional de Portugal.

Os ataques à «escola de Coimbra» reagem, em primeiro plano, a uma alteração da linguagem literária e aos novos termos em que ela tenta estabelecer o debate crítico, associando-o à Universidade e à sua produção intelectual. A importância renovada da filosofia e das ciências humanas, sublinhada por Antero de Quental e Teófilo Braga em particular, afetam tanto a ideia quanto o exercício institucional da literatura tal como definidos pelo romântico. A posição emblemática conferida a António Feliciano de Castilho – quer por defensores, quer por adversários – mostra a centralidade da crítica na prolongada polémica de 1865.

De uma cultura literária centrada no jornalismo nacional, aquela que veio a ser a “Geração de 70” quis passar a um espaço onde escrita e pensamento alinhassem com o ritmo e o conteúdo dos debates intelectuais europeus. Um novo peso da escrita ensaística, o esforço de construção de uma história sistemática da literatura portuguesa, a revisão crítica da história contemporânea, a retórica da modernidade e a insistência na filosofia da história como quadro geral da reflexão, a importação da epistemologia positivista – são alguns dos sinais inequívocos dessa deslocação da cultura literária a meio do século XIX. Em tudo, Antero de Quental desempenha papel central, como agente, alvo e intérprete das transformações que afetam, no fim, todos os domínios da escrita literária.

 

No âmbito do colóquio, está também patente na BNP, até 2 de outubro, a mostra “A questão do Bom Senso e do Bom Gosto”. A entrada é livre.

Informações adicionais aquiaqui.

2015-09-23 13:30
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