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Goethe mostra Wagner

O CESEM vai dedicar três conferências no Goethe-Institut à história da encenação da obra de Richard Wagner. A entrada é livre

É com a promessa de “sessões abundantemente ilustradas com exemplos audiovisuais destinadas ao público em geral” que Paulo Ferreira de Castro, docente do Departamento de Ciências Musicais, convida o público para melhor conhecer a obra de Richard Wagner. O evento, que terá lugar em outubro e novembro no Goethe-Institut, é organizado pelo Círculo Richard Wagner com o apoio do CESEM, Centro de Investigação da NOVA FCSH.

Calendário e resumo das sessões

30.10.2018 | 18h30 | CONFERÊNCIA

1. A obra de Richard Wagner como desafio teatral

Para além da sua dimensão propriamente musical, a obra de Richard Wagner constituiu desde sempre um poderoso estímulo à inovação no domínio da encenação, levando ao limite as possibilidades técnicas do teatro do seu tempo e suscitando novos modos de pensar o espetáculo musico-teatral na sua totalidade.

A primeira sessão dedicada ao tema será centrada no modo como a criação wagneriana se desenvolve a partir das práticas teatrais oitocentistas, e na forma como a tradição estabelecida no teatro de Bayreuth a partir do primeiro Festival (1876) entra em confronto com as tendências modernas da encenação desenvolvidas na Europa desde o início do século XX, dando origem às primeiras tentativas de rutura com a ortodoxia bayreuthiana.

 

13.11.2018 | 18h30 | CONFERÊNCIA

2. Exorcismos: do “novo Bayreuth” ao Regietheater

Após a queda do regime nazi, e sob o impulso de Wieland Wagner, o Festival de Bayreuth empreende uma renovação radical da sua estética, tendente a uma maior abstracção visual e à incorporação de propostas interpretativas em rutura com a tradição, a que não é estranha a ânsia de despolitização inerente à Alemanha da Stunde Null (“hora zero”) e a crise de identidade que se seguiu ao desfecho da 2ª Guerra Mundial.

Paralelamente, a partir sobretudo dos anos 60, a influência conjunta do realismo cénico e da dramaturgia brechtiana vai marcar decisivamente os modos de pensar a encenação de ópera no contexto da República Democrática Alemã, com o surgimento de figuras emblemáticas como Walter Felsenstein, Joachim Herz, Ruth Berghaus, Götz Friedrich e Harry Kupfer, cuja ação terá repercussões a nível global. A segunda sessão dedicada ao tema procurará pôr em perspetiva as correntes dominantes na encenação wagneriana nos anos 50-70, sem esquecer a produção do centenário do Festival assinada por Patrice Chéreau.

 

27.11.2018 | 18h30 | CONFERÊNCIA

3. Fidelidade ou recriação, desconstrução ou sobre-interpretação?

Na terceira sessão dedicada à história da encenação da obra wagneriana, serão discutidas e analisadas várias realizações das últimas décadas, como ponto de partida para um debate crítico, alargado ao público, sobre as tendências interpretativas mais relevantes na atualidade, os seus pressupostos estéticos, técnicos e conceptuais, e também os seus impasses e paradoxos. O que se pode esperar das transformações da encenação wagneriana, dentro e fora do Festival de Bayreuth? E como pensar a “obra de arte do futuro” na era pós-tudo?

Entrada livre. Goethe-Institut, Lisboa

 

Paulo Ferreira de Castro é musicólogo, exerceu crítica musical em diversos órgãos de comunicação social e foi Diretor do Teatro Nacional de São Carlos. É autor de diversos livros e ensaios sobre música europeia dos séculos XVIII a XXI, com lugar de destaque para as temáticas wagnerianas, tendo participado no volume coletivo The Legacy of Richard Wagner (Brepols Publishers, 2012).

2018-10-18 17:20
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