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José Sebastião da Silva Dias (1916-1994)

2.º Presidente da Comissão Instaladora da FCSH/NOVA (1980-81). Reconhecido humanista, académico e professor, trabalhou em jornalismo, assistência social e investigação científica.

Nascido em Arcos de Valdevez a 9 de Fevereiro de 1916, José Sebastião da Silva Dias formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, corria o ano de 1941. Enquanto estudante interessou-se por temáticas variadas na área das humanidades, com relevo para a filosofia, a história, a literatura e a sociologia, participando em várias agremiações estudantis, nomeadamente jornais académicos, e presidindo ao Centro Académico da Democracia Cristã, de 1939 a 1941.

O artigo ‘Toque de clarim’, que publicou a 4 de Setembro de 1941, no periódico ‘Acção: Semanário da Vida Portuguesa’, gerou polémica e levou à sua afirmação enquanto jornalista. O sucesso obtido fez com que abandonasse a ideia de ingressar na magistratura e se dedicasse ao jornalismo, no ‘Novidades’. No ano seguinte inicia funções como assistente social no Instituto Nacional do Trabalho e Previdência.

O trabalho nesta área levou a que desse conta de vários problemas sociais existentes na época, desenvolvendo uma postura crítica relativamente às políticas do Estado Novo, o que levou a que fosse afastado das suas funções em 1946.

Este percalço levou a que se dedicasse inteiramente ao jornalismo, tendo trabalhado no Novidades e n’A Voz. Os seus artigos, frequentemente discordantes relativamente ao regime vigente, colocaram-no na mira da censura, o que o obrigou a usar pseudónimos ou escrever anonimamente.

Seria reintegrado na função pública em 1949, ocupando os cargos de secretário do Tribunal de Execução de Penas, inspector da Polícia Judiciária, director do Instituto de Assistência a Menores e provedor da Casa Pia de Lisboa.

Chega à carreira docente em 1957, quando se torna regente da cadeira de História da Cultura na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A partir daí dedica-se progressivamente à docência universitária e investigação social, tendo sido no ano seguinte convidado para professor catedrático além-do-quadro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, instituição onde recebeu, em 1961, o grau de doutor em Filosofia. Em 1970, ascendeu a professor catedrático do Grupo de Histórico-Filosóficas e em 1974 foi escolhido para presidente do Conselho Directivo.

Criou em 1976 o Instituto de História e Teoria das Ideias e fundou o Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra, iniciando no ano seguinte a publicação da Revista de História das Ideias, da qual foi director.

Manteve-se em Coimbra até 1980, ano em que se transfere para a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (FCSH/NOVA), onde foi o segundo presidente da Comissão Instaladora, professor no departamento de Filosofia, criador do primeiro mestrado da Instituição em História Cultural e Política, fundador da revista Cultura, História, Filosofia e grande impulsionador da vertente de História das Ideias na licenciatura de Filosofia da FCSH/NOVA. Silva Dias foi ainda responsável científico pelo Centro de História da Cultura (CHC), unidade de investigação da FCSH/NOVA, tendo jubilado em 1986.

Para a história fica ainda uma relevante e vasta obra sobre temáticas sociais e filosóficas que inclui diversas monografias e um grande número de artigos dispersos por revistas da especialidade, bem como um importante acervo de artigos na imprensa generalista.

Faleceu em 1994, com 78 anos de idade.

2013-01-11 06:55
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