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Televisão continua a dominar consumo mediático das crianças

Cristina Ponte, docente da NOVA FCSH, liderou estudo pioneiro para caracterizar o uso de meios eletrónicos pelas crianças.

As crianças portuguesas com três a oito anos de idade continuam a ter a televisão como meio principal para o consumo de entretenimento, revela o e-book 'Boom Digital?', publicado pela Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC) em conjunto com a NOVA FCSH.

Apesar de a generalidade dos lares analisados nestes estudos estarem apetrechados tecnologicamente, apenas metade dos pais referem que as crianças jogam jogos digitais e menos de 40% fazem uso da internet. Pelo contrário, a televisão continua a ser usada quase todos os dias, com destaque para os canais infanto-juvenis.

Um dos motivos para isto está relacionada com a perceção, pelos educadores, de um certo "receio em relação ao desconhecido", explica o estudo. De acordo com os investigadores, "na televisão os pais têm a sensação de que controlam", enquanto que nos outros meios digitais é percecionada "uma fragilidade nas competências de observação e controlo"

Evitar o "discurso do medo"

Cristina Ponte, investigadora do CICS.NOVA e coordenadora do Departamento de Ciências da Comunicação é coautora do estudo e declarou à Rádio Renascença que é preciso contrariar “um certo discurso do medo e do pânico que muitas vezes grassa na comunicação social”, sublinhando as vantagens da internet, que pode ser benéfica para as crianças.

Dá como exemplos, para as crianças mais pequenas, a utilização de vídeos, músicas e jogos “que estimulam a imaginação, o prazer estético, estimulam uma certa resiliência, uma certa capacidade de lidar com a frustração, favorecem aprendizagens”.

No entanto ressalva que “é importante” que haja “acompanhamento por parte dos pais desde os primeiros tempos” e “que esses usos sejam tema de conversa por parte dos pais: o que é que viste, vamos ver em conjunto, há alguma coisa que te incomodou que tenhas visto?”.

Este estudo, divulgado pela ERC esta terça-feira (6) é pioneiro em Portugal, faz uma caraterização do uso de meios eletrónicos, pretendendo ajudar a que se assegure "a proteção dos públicos mais sensíveis, tais como menores, relativamente a conteúdos e serviços suscetíveis de prejudicar o respetivo desenvolvimento".

2018-02-06 18:15
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