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Entrevista: A NOVA FCSH “é uma maneira de explorares os teus horizontes”

Catarina Martins, antiga aluna de Línguas, Literaturas e Culturas, relata como o ambiente de interdisciplinaridade e partilha da NOVA FCSH a levou para as Relações Internacionais.

Catarina Martins, natural de Leiria, entrou na NOVA FCSH em 2013. Terminou a licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas há alguns meses. No início de mais um ano letivo, descreve-nos uma Faculdade onde o espírito crítico e a diversidade de pensamento são uma constante.

Esse foi um dos motivos para, depois das Línguas, se aventurar pelas Relações Internacionais. O relato de um percurso e alguns conselhos para que os novos alunos aproveitem ao máximo a sua passagem pelo campus da Avenida de Berna.

Porque é que escolheste fazer o curso na NOVA?

Eu tive conhecimento da NOVA FCSH através de um professor de Geografia no Ensino Secundário, que me falou bem da Faculdade, do ambiente, da esplanada… e de várias conferências a que tinha assistido cá. Como gostei do que ele disse, fui pesquisar a Faculdade à Internet e estive a ver duas opções de dois cursos que me despertaram imenso interesse. A minha licenciatura, Línguas, Literaturas e Culturas (LLC), e depois Ciência Política e Relações Internacionais (CPRI). Estive um pouco indecisa, mas depois decidi por LLC e foi uma boa escolha.

Dos teus anos na NOVA, quais é que destacas como as principais memórias, aprendizagens e experiências?

No contexto do meu curso, a facilidade que tens de estabelecer o teu horário. Ganhas muita independência e autonomia porque és tu que fazes as tuas escolhas. E isto permite-te crescer, de uma certa forma. Outro pormenor de que eu gostei muito foram as relações interpessoais. Não só dentro do meu curso, mas com os outros cursos também. Tive possibilidade de fazer cadeiras de outros cursos – fiz em Estudos Portugueses e fiz em História – e aprendi muitas coisas diferentes. Com outros professores, que te permitem aprender mais noutro contexto.

E sentes que há facilidade em acolher as pessoas, independentemente do curso em que estão?

Eu, pessoalmente, sinto que fui muito bem recebida. Ao início os professores perguntam logo se temos alguma dúvida, se estamos a conseguir acompanhar. Por experiência pessoal, eu tive sempre essa sorte. Destaco o caso de duas professoras - uma que me deu Cultura Clássica Grega e outra que me deu História Moderna – as duas foram muito prestáveis e destacaram sempre que, para uma pessoa de Línguas, gostava muito de História.

No contacto com os outros cursos e com as outras matérias, acabas por fazer disciplinas em dois cursos diferentes: Estudos Portugueses e História. Porque é que depois do contacto com estas áreas acabas por escolher a vertente das Relações Internacionais no mestrado?

Esse já era um plano que eu tinha. Quando entrei na licenciatura estava muito dividida entre LLC e CPRI e, agora na altura do mestrado, tendo em conta os meus interesses pessoais pelas relações entre países e pelos direitos humanos, aproveitei para estudar Relações Internacionais.

Achas que a formação que é dada dentro da área de Cultura da licenciatura em Línguas Literaturas e Culturas pode dar uma boa preparação para quem quer enveredar pela Ciência Política e Relações Internacionais?

Sim, eu tive várias cadeiras de Cultura. Destaco Cultura Norte-Americana Contemporânea. Nós falamos nessa área de imensas questões relacionadas com política norte-americana, não só dos últimos anos, mas desde a Segunda Guerra Mundial, o que nos permite perceber a evolução da política e a influência dos Estados Unidos nos outros países. E isso é muito importante. Eu depois tive outras cadeiras, já durante o mestrado, como Relações Transatlânticas, em que falei exatamente disso de forma mais aprofundada, mas havia muitas bases comuns.

Achas que esta possibilidade que tiveste de escolher as tuas cadeiras, permite que um aluno de licenciatura tenha mais liberdade quando vai para o Mestrado?

Sim, porque é uma maneira de explorares os teus horizontes. Se quiseres só estudar numa área, é bom e podes fazê-lo. Mas se quiseres ver outras coisas, a Faculdade permite-o. E depois a nível de saídas profissionais é um leque muito maior que se abre, porque se sabe mais e tens mais interesses do que aquilo que, à partida, seria óbvio.

A tua dissertação de mestrado está relacionada com os refugiados. Como é que tu chegaste a este tema e de que forma é que a tua experiência enquanto aluna te levou a este destino de investigação?

Eu sempre tive muito interesse por questões humanitárias. Já desde o Ensino Secundário que pertencia à Amnistia Internacional. E depois, cá na Faculdade, no contacto com os professores e com os colegas, aprofundei essas preocupações. O ambiente da Faculdade facilita que estejamos atentos. Frequentei uma cadeira de mestrado” Mulheres e Direitos Humanos” que intensificou esse meu interesse. Como avaliação dessa cadeira tinha de fazer um trabalho, um ensaio, um projeto de tese. E depois de muito procurar, encontrei um relatório da Amnistia sobre a crise de refugiados e falei com uma professora minha, de Italiano, do ILNOVA, e ela deu o empurrão final para que eu seguisse por aqui.

Enquanto antiga aluna de uma licenciatura na NOVA, qual é que achas que é a mensagem que podes transmitir a um aluno mais novo que está agora a iniciar o período letivo? Que conselho lhe darias?

Na minha área de licenciatura, o principal conselho seria ‘não stresses’. Sei que parecem muitas escolhas, muita complicação a fazer os horários, mas ‘não stresses’. Há muitos colegas que ajudam e depois, em todas as licenciaturas, há colegas da tua idade que estão a passar pelas mesmas dificuldades e podes ter, neles, um grupo de apoio. E há ainda os colegas mais velhos, que já estão há mais tempo, e que vão ajudar sempre que puderem.

Foi isso que tu sentiste quando entraste aqui? Que as pessoas estavam disponíveis?

Na primeira semana eu estava muito nervosa, porque vim de Leiria e não sabia como é que me ia desenrascar. E a Faculdade? O que é isto à minha volta? E eu tinha colegas que também não eram de Lisboa, que estavam na mesma situação, e conheci colegas do segundo ano que também me ajudaram imenso, que me explicaram e que me garantiram que ia correr tudo bem. Quando tive a oportunidade de parar e de me acalmar, percebi que tinha sido esse apoio que tinha feito com que tudo funcionasse bem e pensei que, no futuro, ia fazer o mesmo e garantir que ia tudo correr bem para os meus futuros colegas.

2017-10-02 14:45
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