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Estudo estima potencial dos edifícios para receber coberturas verdes

Investigação inédita apresenta metodologia baseada na modelação e análise 3D para quantificar a área verde ao nível do solo e o potencial ao nível das coberturas.

As autarquias são responsáveis pela aplicação nas suas cidades de orientações estratégicas que visem promover a sustentabilidade e a eficiência energética, com base em fontes renováveis. Neste contexto, as tecnologias de deteção remota podem ser uma fonte eficaz de geo-informação atualizada sobre o ambiente urbano. Atualmente, a modelação de dados geográficos obtidos por sensores LiDAR (Light Detection And Ranging) permite a análise tridimensional (3D) da superfície urbana a grande escala.

A informação sobre potenciais áreas verdes em ambientes urbanos pode ser usada para promover ações de desenvolvimento urbano baseadas em baixo carbono, que vão muito além da área permeável ao nível do solo.

Um grupo de investigadores do CICS.NOVA e do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIMAR) da Universidade do Porto propõem uma abordagem que permite quantificar o potencial dos edifícios de Lisboa para receber coberturas verdes. Pretende-se demonstrar qual o ganho em área verde para a cidade de Lisboa, ao considerar-se as áreas dos edifícios em condições para receber coberturas verdes. Assume-se que a reconversão dos topos dos edifícios para coberturas ajardinadas promove o conforto e a qualidade ambiental da cidade, sendo também um fator de mitigação das mudanças climáticas e uma ação de conservação da biodiversidade.

De modo a quantificar o potencial verde em topos de edifícios, foram considerados os seguintes fatores:

  • Número de horas de sol disponíveis;
  • As características dos topos dos edifícios como a ausência de telha, declive da cobertura e área disponível.

As variáveis, analisadas tendo por base informação 3D proveniente de varrimento laser (LiDAR) e de uma imagem de satélite WordlView-2, resultam num modelo que permite estimar o potencial para receber coberturas verdes de edifícios em meio urbano. Deste modo, demonstra-se a utilidade de dados obtidos por LiDAR e satélite para a produção de informação útil ao planeamento urbano, num contexto que se pretende sustentável.

O estudo agora publicado resulta da continuação da procura por ferramentas úteis à gestão urbanística e planeamento urbano, iniciada com o estudo do potencial fotovoltaico dos edifícios em Lisboa. Sabendo quais os melhores locais para determinados usos, é possível instruir políticas sustentáveis e criar linhas estratégicas que incentivem a reconversão das coberturas dos edifícios mais favoráveis ao ambiente.

O estudo, publicado na revista «Sustainability», pode ser consultado em: http://www.mdpi.com/2071-1050/8/12/1247

2016-12-13 12:20
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