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Gonçalves Correia, a utopia de um cidadão

Anarquista, vegetariano e humanista, Gonçalves Correia foi um homem à frente do seu tempo. Uma exposição fotográfica no Edifício ID dá a conhecer a história de um revolucionário invulgar.

No âmbito do II Congresso Internacional da História do Movimento Operário e dos Movimentos Sociais em Portugal, o Instituto de História Contemporânea (IHC) traz à FCSH/NOVA a exposição “Gonçalves Correia, a utopia de um cidadão”. A mostra, com entrada livre, estará patente no piso 1 do edifício ID até ao dia 9 de abril.

Nascido em 1886, já no virar do século XIX, Gonçalves Correia havia de se notabilizar sobretudo na luta política, tendo um Alentejo profundamente rural como palco. Ali a sua vida funde-se com o emancipar das ideias anarquistas, traduzindo-se pelo apoio às reivindicações anarco-sindicalistas dos trabalhadores das minas de Aljustrel, São Domingos ou Lousal, com as lutas dos camponeses e com os vários grupos e jornais anarquistas a sul do Tejo. A educação operária, os princípios da solidariedade e da igualdade, a auto-organização dos trabalhadores foram elementos fundamentais do seu pensamento e percurso, tendo ainda sido um dos fundadores da Comuna da Luz, a primeira comunidade anarquista em Portugal.

Defensor de um “socialismo libertário, consciente, da ação direta, que só por si faz tremer os cómodos barões que desfrutam os benefícios do património comum”, Gonçalves Correia ainda hoje surpreende com a atualidade das suas propostas: há cerca de um século atrás já difundia ideias relacionadas com o vegetarianismo e a alimentação saudável, o respeito pela dignidade dos animais, o combate ao alcoolismo e ao tabagismo – que considerava vícios perniciosos dos trabalhadores - e a ideia de amor livre, em contraponto ao casamento como farsa moral de uma sociedade burguesa que, na sua opinião, aprisionava as relações entre as pessoas, transformando-as em contratos materiais sem justificação na realidade das emoções humanas.

Bateu-se sempre por uma sociedade mais justa, de igualdade para todos, manifestando esse pensamento nos livros “Estreia d´um crente”, “ A Felicidade de todos os seres na sociedade futura” e no jornal “Questão Social”, que fundou em Cuba, assim como noutros em que colaborou.

Faleceu em 1967. Foi enterrado com a barba e o cabelo compridos, pois costumava dizer à família e amigos que só os cortaria se vivesse em liberdade.

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2015-03-25 16:45
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