Cantigas Medievais Galego-Portuguesas: A totalidade das cantigas dos cancioneiros galego-portugueses

O site das Cantigas Medievais Galego-Portuguesas disponibiliza, aos investigadores e ao público em geral, a totalidade das cantigas medievais presentes nos cancioneiros galego-portugueses, as imagens dos manuscritos e a música (medieval e as versões ou composições originais contemporâneas que tomam como ponto de partida os textos das cantigas).

O projeto Cantigas Medievais Galego-Portuguesas, sediado no Instituto de Estudos Medievais (IEM) da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa (FCSH/NOVA), é resultante do projeto Littera, edição, atualização e preservação do património literário medieval português, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), que decorreu entre 2007 e 2010.

As cantigas trovadorescas galego-portuguesas são um dos patrimónios mais ricos da Idade Média peninsular. Produzidas durante um período de cerca de 150 anos, genericamente entre o final do século XII a meados do século XIV, historicamente situam-se no alvor das nacionalidades ibéricas, sendo, em grande parte contemporâneas da Reconquista cristã, que nelas deixa numerosas marcas. Tendo em conta a geografia política peninsular da época, muitas vezes com fronteiras voláteis e frequentemente em luta entre si, a área cultural onde se desenvolve a arte trovadoresca galego-portuguesa (ou seja, em língua galego-portuguesa) corresponde, latamente, aos reinos de Leão e Galiza, ao reino de Portugal, e ao reino de Castela (a partir de 1230 unificado com Leão).

Nas origens da arte trovadoresca galego-portuguesa está, indiscutivelmente, a arte dos trovadores provençais, movimento artístico nascido no sul de França em inícios do século XII, que rapidamente se estende pela Europa cristã. Compondo e cantando já em língua falada (no caso, o Occitânico) e não mais em Latim, os trovadores provençais, através da arte da canso, mas também do fin’amor que lhe está associado, definiram os modelos e padrões artísticos e culturais, que se iriam tornar dominantes nas cortes e casas aristocráticas europeias durante os séculos seguintes. Acompanhando, sem dúvida, um movimento europeu mais vasto de adoção dos modelos occitânicos, a arte trovadoresca galego-portuguesa assume características muito próprias que a distinguem de forma assinalável da sua congénere provençal, desde logo pela criação de um género próprio, a cantiga de amigo.

No total, e recolhidas em três grandes cancioneiros (o Cancioneiro da Ajuda, o Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Biblioteca Vaticana), chegaram até nós cerca de 1680 cantigas profanas ou de corte, pertencentes a três géneros maiores (cantiga de amor, cantiga de amigo e cantiga de escárnio e maldizer), de cerca de 187 trovadores e jograis. Da mesma época e ainda em língua galego-portuguesa são também as Cantigas de Santa Maria, um vasto conjunto de 420 cantigas religiosas de louvor à Virgem e de narração dos seus milagres, atribuíveis a Afonso X. Tendo em comum com as cantigas profanas a língua e eventualmente espaços semelhantes de produção, as Cantigas de Santa Maria pertencem, no entanto, a uma tradição cultural bem distinta, motivo pelo qual não integram a base de dados disponível no site do projeto.

Equipa científica:

Graça Videira Lopes (responsável)
Manuel Pedro Ferreira (responsável pela área da música)
Nuno Júdice

Bolseiros e colaboradores:

Pedro Madeira
Vera Lopes Inácio Cordeniz
Ana Raquel Baião Roque
Diogo Fernandes
Cláudio Neto
Alexandra Antunes

Equipa técnica:

Pedro Diniz de Sousa (responsável informático, base de dados, programação web)
Paula Neves (design)

Financiamento pela FCT

€ 45 000,00

Cantigas Medievais Galego-Portuguesas: A totalidade das cantigas dos cancioneiros galego-portugueses

Graça Videira Lopes, Professora no Departamento de Estudos Portugueses e investigadora responsável pelo projeto das Cantigas Medievais Galego-Portugueses, afirma que o seu trabalho "resultou num site que disponibiliza ao público a edição integral das cantigas, acompanhadas da música e dos manuscritos, permitindo um conjunto de pesquisas variado. Possibilita também uma leitura simples, uma vez que qualquer internauta pode ler a cantiga e ouvir a música, quer a original, quer as adaptações contemporâneas feitas por variadíssimos músicos e géneros de música. Por outro lado, pode ainda comparar a edição que nós fizemos dos textos com os manuscritos”.

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Vídeo de apresentação do projeto Cantigas Medievais
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