"Conhecemo-nos na NOVA FCSH...": as histórias por contar da nossa comunidade

Ao longo dos seus 44 anos de existência, a NOVA FCSH tem sido palco das mais variadas histórias: histórias académicas, de amizade, histórias profissionais, entre tantas outras que se desenrolaram entre a Avenida de Berna e, mais recentemente, o Colégio Almada Negreiros. 

Para celebrar o Dia de São Valentim, queremos contar as histórias de amor da nossa comunidade, nas quais a NOVA FCSH assumiu um papel central. 

Remontemos aos primeiros anos de existência da NOVA FCSH e do Departamento de Ciências Musicais. Um departamento pioneiro na academia portuguesa, no qual ingressam dois estudantes cheios de vontade de aprender. O ano era 1983, o primeiro ano de Licenciatura dos jovens Maria São José Côrte-Real e João Soeiro de Carvalho.

Primeiro, São José ingressa no curso e, um pouco mais tarde, vindo de outra instituição, João Soeiro de Carvalho. É na Avenida de Berna que começa a história, no antigo pavilhão do Departamento de Ciências Musicais, em que hoje se encontra o Restaurante Com Sabor. Nem a Torre B existia…

Tendo perdido as primeiras semanas de aulas, a pouco tempo antes da primeira avaliação da disciplina de Organologia (lecionada por Gerhard Doderer), João Soeiro de Carvalho pede a uma colega que encontra no corredor os seus apontamentos. São José, num ato de solidariedade académica, prontamente empresta o seu caderno de apontamentos ao recém-chegado João Soeiro de Carvalho. 

Para surpresa de São José, o seu colega devolve-lhe o caderno com todos os erros ortográficos corrigidos e assinalados: “Ela ficou furiosa comigo!”, relembra João Soeiro de Carvalho. “Piursa!”, concorda São José. 

Ainda nesse mesmo ano, Salwa Castelo-Branco, que lecionava a disciplina de Etnomusiclogia, pede aos seus alunos que desenvolvam um projeto de investigação de campo, a pares. A turma era composta por apenas oito estudantes que rapidamente se juntaram. João Soeiro de Carvalho havia faltado a essa aula e, quem sabe, talvez por mão do destino, São José ficou sem grupo, pelo que foi forçada a juntar-se a João Soeiro de Carvalho: “À força e porque nenhum de nós queria fazer o trabalho com o outro.”, sublinha a atual docente da NOVA FCSH. 

Entre dois locais para desenvolver o projeto – Beira Baixa e Trás-os-Montes – São José e João Soeiro de Carvalho não conseguiam decidir qual o rumo a tomar. “Eu acabei, como é hábito, por satisfazer os desejos dela”, confessa João Soeiro de Carvalho e lá foram para a aldeia histórica de Monsanto. Foi aí que se conheceram. 

Em 1986, no terceiro ano do curso, começam a namorar. Logo quando terminaram o curso, decidiram casar. Terminada a Licenciatura, rumam a Nova Iorque para prosseguir os estudos (Mestrado e Doutoramento). Realizaram o Mestrado na Universidade de Columbia, tendo até escolhido o mesmo orientador científico. “Colegas muito próximos, sempre!”, afirma João Soeiro de Carvalho. 

 

À medida que o seu caminho académico se trilhava lado a lado com a sua vida amorosa, São José e João Soeiro de Carvalho tiveram três filhos: o primeiro nascido em Nova Iorque, o segundo em Maputo e a sua terceira filha já em Lisboa. 

Em 1996, João Soeiro de Carvalho torna-se docente na NOVA FCSH, no Departamento de Ciências Musicais. Dez anos depois, São José Côrte-Real junta-se também ao corpo docente do Departamento. 

“Ciências Musicais, na altura, em Portugal, era só aqui na NOVA (…). Nessa altura ainda não havia uma outra Universidade que oferecesse Ciências Musicais.”, relembra o professor. 

Assim, João Soeiro de Carvalho e São José Côrte-Real regressaram ao sítio onde se conheceram e desenvolveram a sua carreira enquanto docentes e investigadores pelos corredores da NOVA FCSH: “a nossa vida é passada aqui. A Avenida de Berna faz parte das nossas vidas desde há muito tempo.”. A sua história “é completamente FCSH! Conhecemo-nos aqui, fomos colegas aqui, casámos depois de acabar a Licenciatura e voltámos para aqui.”, conta-nos João Soeiro de Carvalho. 

Desde o primeiro ano da sua Licenciatura até aos dias de hoje, 40 anos depoisSão José Côrte-Real e João Soeiro de Carvalho sentem a NOVA FCSH como a sua casa, o local onde tudo começou. 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A segunda história começa em 2021. Joana Simões e Mafalda Guerreiro, estudantes da Licenciatura em Línguas, Literaturas e Culturas, conheceram-se também na NOVA FCSH. 

Mafalda frequentava o segundo ano do curso, época em que se regressava lentamente às atividades letivas presenciais, e Joana acabava de regressar para o último ano da Licenciatura, após uma paragem nos estudos por motivos profissionais: “No ano passado tinha deixado de estudar na Faculdade, para ir jogar [futebol] para o Norte. Até acabou por ser um bocado aquela coisa do destino, porque se eu não tivesse ido, tinha acabado o curso e não estava cá no ano em que a conheci.”. 

Como grande parte das histórias de amor atuais, contrastando com a história anterior, após uma primeira atração mútua que se manifestou em atividades de grupo com outros e outras estudantes do curso, rapidamente tentaram descobrir tudo uma sobre a outra através das redes sociais. A Mafalda encontrou o perfil de Instagram da Joana e esta, sem perder tempo, começou logo a seguir o perfil da Mafalda. Mas não passou disso. Assim, surgia um interesse cada vez maior e, perante a panóplia de possíveis interações permitidas pelas plataformas digitais, Joana não sabia o que fazer: “O que é que eu faço? Mando uma mensagem? Meto um like? Comentar?”. 

 

Entre conversas com amigos na esplanada da Avenida de Berna, iam descobrindo um interesse recíproco, sem ainda terem tido um contacto verdadeiramente pessoal. 

Num certo Domingo, Mafalda publica no seu perfil de Instagram uma “história” da sua sobrinha, que fazia anos, à qual Joana responde. Mafalda lê a mensagem, assim que é enviada. No entanto, Joana, jogadora de futebol no Vitória FC, começou um jogo e deixou de lhe responder durante horas, o que aumentou exponencialmente a ansiedade da sua atual namorada. Terminado o jogo, Joana responde a Mafalda e “pronto, a partir daí falámos sempre”, recorda.

Dado o primeiro passo, Joana e Mafalda não pararam de conversar e descobriram as imensas coisas que têm em comum. Conversaram horas a fio, até de madrugada, com aulas no dia seguinte. 

 

Começada uma nova semana, era o momento do contacto pessoal mais sério. Mafalda escondia-se na Associação de Estudantes da NOVA FCSH e Joana decide ir buscá-la para um jogo de UNO. Nesta partida entre colegas, decidem ir passar o resto da tarde aos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian. Cada um dos colegas foi abandonando o convívio e acabam por ficar apenas as duas. Aqui, Mafalda decide arranjar uma estratégia para que Joana voltasse a falar com ela: “Se ela não gostar de mim, tenho de arranjar maneira de falar comigo outra vez, custe o que custar.”. Desta forma, Mafalda tinha um elástico para o cabelo que entregou a Joana. Este iria acabar por ficar com ela até hoje, encontrando-se agora na casa que partilham. 

 

 

A partir deste momento, a relação de ambas não parou de evoluir e estão juntas desde então. Joana e Mafalda destacam que a NOVA FCSH foi o pano de fundo da sua intriga amorosa (“A NOVA FCSH foi cenário…”). Foi através da Faculdade que se conheceram e foi entre os corredores, as salas de aula e a esplanada que puderam passar tempo juntas: “com o pouco tempo que tínhamos, porque eu tinha que sair daqui para os treinos, a gente foi-se conhecendo. Depois olha…”.